O modesto Colón que derrubou o Santos de Pelé

O modesto Colón que derrubou o Santos de Pelé

Estádio do Colón ganhou apelido de "Cemitério dos Elefantes" após vitórias sobre Santos e Argentina

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À época atual bicampeão da Libertadores e do Intercontinenal, o poderoso Santos fazia uma de suas habituais excursões pelo mundo em maio de 1964, logo após a conquista conjunta do Rio-São Paulo com o Botafogo, motivada por falta de datas. O destino do alvinegro praiano foi a Argentina, onde protagonizaria três amistosos em Buenos Aires e Sante Fé.

Colón vs Santos
Pelé abriu o marcador em Santa Fé, mas Santos acabou derrotado por 2 a 1 (Foto: reprodução)

Na primeira terça-feira (5) do referido mês, a equipe orientada pelo técnico Lula obteve um emocionante triunfo por 4 a 3 sobre o Boca Juniors, em La Bombonera.

Dois dias depois, visitou o Racing e saiu do El Cilindro com um novo resultado positivo, desta vez por 2 a 1. Restava agora apenas o encontro diante do modesto Colón, no interior do país.

Centenário, o clube de Santa Fé está longe de possuir uma história rica como a dos principais clubes do país no que diz respeito a conquistas esportivas. Em seus 112 anos de existência, destacam-se um vice-campeonato nacional e um 3º lugar da Copa Conmebol, além de uma participação nas quartas de final da Libertadores, na década de 1990.

Militando na segunda divisão nacional durante a viagem do Santos, imaginava-se que o Colón não faria frente a um time em cujas fileiras brilhavam Gilmar, Zito, Coutinho, Pelé e Pepe, por exemplo. Mas os Sabaleros, como são apelidados, costumavam dar trabalho aos adversários que jogavam no Estádio Brigadier General Estanislao López.

Orientado por José Canteli, o rubro-negro se alinhou com Juan Pérez; Larpín, Bareiro, Poncio e Ediberto Pérez (Cevallos); Broggi (Gómez), Cilenio López, Cabaña e Serenotti; Luis López e Fernando López. Já o alvinegro foi a campo com Gilmar; Lima, Modesto e Geraldino; Zito (Ismael) e Joel Camargo; Peixinho, Almir (Rossi), Coutinho, Pelé e Pepe.

Seguindo a lógica, o marcador foi inaugurado por Pelé, no primeiro tempo. Apesar do favoritismo dos brasileiros, os anfitriões, impulsionados pela torcida que encheu as arquibancadas, conseguiram igualar tudo logo depois do intervalo, com Fernando López, e viraram a poucos minutos do fim, com o recém-ingressado Demetrio Gómez.

Colón vs Santos
Jornal local repercute vitória histórica dos Sabaleros (Foto: Reprodução)

A façanha estava concretizada. Vitória heroica do Colón, uma das mais recordadas e valorizadas na história do clube.

Dela inclusive surgiu o apelido “Cemitério de Elefantes” para seu estádio, em alusão aos grandes times que caíram nele.

A alcunha foi reforçada em 7 de setembro daquele ano, graças ao triunfo dos Sabaleros por 2 a 0 sobre a Argentina, com gols de Alberto Ríos e José Broggi.

Vale lembrar que meses antes, em junho, a Albiceleste havia conquistado um torneio organizado no 50º aniversário de fundação da CBF, a Taça das Nações, derrotando os três participantes: Portugal (2×0), Brasil (3×0) e Inglaterra (1×0). Mais um motivo para agigantar a proeza do Colón.

A base daquela equipe rubro-negra foi fundamental para a conquista do título da segunda divisão no ano seguinte, o que lhe garantiu o acesso inédito à elite, tornando-se o primeiro time de Santa Fé a chegar ao referido estágio. A partir daí a história do Colón só cresceu, vitimando outros “elefantes” que jogaram em seus domínios.

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