O Estudiantes de Nelson Vivas: líder e com a defesa invicta

O Estudiantes de Nelson Vivas: líder e com a defesa invicta

Mesmo com eliminações, treinador começa a colher bons frutos no início do Campeonato Argentino

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O grande destaque de Nelson Vivas na primeira experiência à beira do gramado não foi o ideal. Há três anos,  perdeu as estribeiras com as críticas e os insultos que lhe foram dirigidos por um torcedor do Quilmes, durante uma partida em casa diante do Atlético de Rafaela. Irritado, o técnico partiu para as cenas lamentáveis depois do apito final, que decretou empate por 1×1, e agrediu o cidadão antes de ser contido por três policiais.

Hoje em La Plata, Vivas encontra um cenário oposto ao que enfrentou em seus difíceis tempos de “cervecero”. O Estudiantes lidera o Campeonato Argentino com 4 vitórias e 1 empate, obtido no clássico fora de casa diante do Gimnasia, no domingo (2). Além da ponta da tabela, o Pincharrata também não foi vazado, assim como o Colón, e divide o segundo melhor ataque do torneio (9), atrás do vice-líder River Plate (12).
A fase anima até o presidente Juan Sebastián Verón, de 41 anos. Com o time já classificado para a próxima edição da Copa Libertadores, ele fez projeções para o ano seguinte e abriu a chance de retornar aos gramados profissionalmente. O Alambrado discorreu sobre a volta da “Brujita” na equipe amadora do Estrela de Berisso.

Nelson Vivas Estudiantes
Vivas pode ser “chefe” de Verón em 2017 (Foto: Divulgação)

Para calçar as chuteiras, ele deixou uma condição clara, quase um desafio: é necessário que sejam vendidos até dezembro 65% dos ingressos disponíveis para a temporada.

“Se meu pai jogou até os 40 anos, porque eu não vou fazê-lo?”, questionou.

Mas nem tudo são flores para o Estudiantes. Antes de atravessar o bom momento, o clube navegou por águas turbulentas no início do segundo semestre, com seguidas eliminações na Copa Argentina, contra o Unión, e na Sul-Americana, diante do Belgrano.

Para o zagueiro Jonathan Schunke, reagir logo após essas derrotas foi fundamental para recuperar o ânimo do grupo. “As eliminações foram golpes muito duros, pois estávamos com muita expectativa em todas as frentes. Mas uma vez que estávamos fora, só restava levantarmos rápido e tratar de ir em frente o quanto antes”, explicou, em entrevista.

Pilar da equipe, o setor defensivo tem como base o experiente goleiro Mariano Andújar, ademais dos zagueiros Schunke e Leandro Pirez, dos laterais Luncas Diarte e Facundo Sanchéz, e dos volantes Santiago Ascacibar e Rodrigo Braña. As escalações podem ter mudanças pontuais, mas todas passaram em branco contra Tigre (0x3), Sarmiento (1×0), Atlético Tucumán (0x2) e Temperley (3×0) e Gimnasia (0x0).

Estudiantes
Estudiantes em vitória sobre o Sarmiento pelo Argentino (Foto: Divulgação)

No outro lado do campo, ganham protagonismo Carlos Auzqui e Ignacio Bailone, artilheiros do time com 3 e 2 gols, respectivamente.

Já Augusto Solari, Israel Damonte, Schunke e Lucas Rodríguez anotaram um tento cada até o momento. A média, por ora, é um pouco superior à da última edição do torneio, no qual fez 25 gols em 16 jogos.

Apesar dos ventos favoráveis, é preciso admitir que ainda há um caminho muito longo a ser trilhado, sobretudo em um campeonato com 30 times e rivais qualificados pela frente. Vivas sabe disso. Ele reconhece a estabilidade do time, mas alerta para os perigos causados pelo excesso de confiança e faz discursos com os pés no chão.

De qualquer modo, o Estudiantes dá continuidade ao bom trabalho do técnico e mostra que tem potencial para brigar pelas primeiras colocações, buscando encerrar um jejum que dura desde 2010, agora sob o comando de um Vivas mais zen, equilibrado. Pelo menos em comparação àquele do Quilmes.

O próximo desafio do Pincharrata será como mandante, no dia 15, contra o Rosario Central, dia 15. Um bom termômetro para medir a qualidade do conjunto alvirrubro sedento por novas glórias.

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Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, é apreciador do futebol latino, do teor político-social do esporte bretão e também de seu lado histórico.