O roubo do orgulho nacional

    O roubo do orgulho nacional

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    O Roubo da Taça
    O Roubo da Taça faturou 4 prêmios na 44ª edição do Festival de Gramado (Foto: Divulgação / Catarina)

    Na mitologia grega, Nice era a personificação da vitória. Inspirado nessa divindade, o artesão francês Abel Lafleur confeccionou em 1929 a primeira taça da Copa do Mundo, que mais tarde seria chamada de Jules Rimet em homenagem ao então presidente da FIFA.

    Além de idealizar o troféu, Rimet sugeriu que a posse definitiva dele ficaria com o país que ganhasse três vezes o certame. Embora tenha saído muito atrás na referida disputa, em 1970 o Brasil superou a forte concorrência dos bicampeões Uruguai e Itália.

    Erguida por Bellini, Mauro Ramos e Carlos Alberto Torres, a taça era um orgulho nacional. Sendo o futebol um importante elemento da identidade brasileira, imaginava-se que ninguém teria a desfaçatez de afanar esse tesouro de incalculável valor sentimental.

    No entanto, por incrível que pareça, houve gente disposta a usurpá-lo. E o filme “O Roubo da Taça” (2016), dirigido por Caíto Ortiz, baseia-se nesse fato histórico para trazer uma versão alternativa do episódio ocorrido na noite de 19 de dezembro de 1983, na antiga sede da CBF, localizada na Rua da Alfândega, 70, centro do Rio de Janeiro.

    Com apreciável direção de arte, o longa exibe de modo interessante um registro de época e tem mais a oferecer do que a simples reconstrução humorística do sucedido. O lado cômico atende às expectativas do gênero. Outras qualidades se sobressaem, porém.

    É o caso dos atores Peralta (Paulo Tiefenthaler) e Dolores (Taís Araújo), casal em torno do qual gira a trama. Ele, um corretor de seguros e trambiqueiro, afundado em dívidas de jogo; ela, mulher deveras atraente e não menos astuta que vai tornando-se figura principal.

    O elenco de apoio tem ainda Danilo Grangheia, Milhem Cortaz, Leandro Firmino, Thelmo Fernandes, Mr. Catra e o argentino Fabio Marcoff, que interpreta o ourives incumbido, vejam só, maior ironia não há, de derreter a cobiçada Jules Rimet.

    Enfim, “O Roubo da Taça” é uma comédia bem filmada que não busca heróis – seus personagens são repletos de defeitos, mas retrata parte de nossos anseios e máculas, reconstruindo bem um evento (negativamente) marcante do futebol brasileiro que nunca foi esclarecido.

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    Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, é apreciador do futebol latino, do teor político-social do esporte bretão e também de seu lado histórico.