Há 52 anos, o cãozinho Pickles salvava o troféu da Copa do...

Há 52 anos, o cãozinho Pickles salvava o troféu da Copa do Mundo

Animal encontrou o artefato que havia sido roubado antes do torneio sediado na Inglaterra

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pickles 1966
Pickles encontrou a taça de ouro no sul de Londres, na noite de 27 de março de 1966 (Foto: Reprodução)

Depois de 61 jogos, a Copa do Mundo entra em seus capítulos finais e logo conheceremos o novo (ou velho) dono da taça mais cobiçada do esporte bretão. A França já chegou à decisão graças à vitória por 1 a 0 sobre a Bélgica, em São Petersburgo, enquanto Croácia e Inglaterra decidem a outra vaga nesta quarta-feira (11), em Moscou. E quando o assunto envolve os ingleses e o troféu, a história do cãozinho Pikles merece ser lembrada.

Antes mesmo de a Jules Rimet ser usurpada da antiga sede da CBF, fato histórico que inspirou o longa “O Roubo da Taça”, sobre o qual já falamos aqui, a Terra da Rainha havia sofrido com o desaparecimento do referido tesouro no dia 20 de março do 1966, a menos de quatro meses do início do Mundial em solo britânico, durante o segundo dia de uma exposição pública de selos no Westminster Center Hall, no centro de Londres.

Como o episódio ocorreu na ausência dos seguranças, as circunstâncias do furto ainda permanecem um mistério. A Scotland Yard, inclusive, assumiu o controle da investigação à época, e a Football Association (FA) chegou a encomendar secretamente uma réplica da taça. Nesse ínterim, o presidente do organismo regulador do futebol nacional, Joe Mears, recebeu uma nota de resgate assinada por “Jackson” exigindo 15 mil libras.

Diante disso, Mears fingiu aceitar o acordo, que seria firmado no Parque Battersea. Então, um policial disfarçado foi ao local com uma mala cheia de jornais, cobertos por uma camada de notas de cinco libras, e acabou prendendo o suspeito, que na verdade era um ex-soldado chamado Edward Betchley. Mas se tratava de um mero golpe. O prêmio da Copa seguia desaparecido. Até a noite de 27 de março, com uma descoberta casual.

Naquele domingo, o dono de Pickles, Dave Corbett, saiu de seu apartamento em Norwood, no sul de Londres, para dar um telefonema e passear com o animal, que se aproximou do carro do vizinho. Foi quando Corbett reparou num pacote embrulhado em jornais e barbantes. Ao abri-lo, ficou chocado e o levou até a delegacia. Os policiais também se mostraram incrédulos, mas logo foi confirmada a autenticidade do objeto.

Bobby Moore 1966
Bobby Moore ergue taça até hoje inédita no futebol inglês (Foto: Reprodução/FIFA)

Depois de ter sido liberado de qualquer irregularidade, a vida de Corbett, e a de Pickles, mudou. Com os holofotes da imprensa, o cachorro ganhou prêmios, virou estrela de TV e até apareceu em um filme, chamado O Espião de Nariz Frio (The Spy with a Cold Nose), dirigido por Daniel Petrie.

Por sua vez, o dono do cãozinho ganhou recompensa de quase cinco mil libras, com a qual adquiriu uma casa em Surrey.

A icônica imagem de Bobby Moore erguendo o artefato de ouro maciço conquistado sobre a Alemanha Ocidental, no Estádio de Wembley, poderia ter sido diferente, não fosse o querido cachorro mestiço de Border Collie, que faleceu no ano seguinte e foi enterrado no jardim de Corbett. Não sem antes participar do evento de celebração da primeira e até hoje única Copa do Mundo obtida pela Inglaterra, é claro. Um pequeno herói que o acaso criou e a história imortalizou.

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