A redenção coral

A redenção coral

Além do regresso à elite do futebol brasileiro, a boa fase do Santa Cruz lhe rendeu o título da Copa do Nordeste

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Após tanto sofrimento, torcida do Santinha lotou as arquibancadas para ver o time campeão (Foto: Divulgação/ Antônio Melcop)

A última década do Santa Cruz foi demasiadamente conturbada. Da elite nacional ao calvário da última divisão, o clube pernambucano pôde contar com sua fanática torcida na época de vacas magras para se reerguer e voltar ao protagonismo. Apesar de recém-ascendido à primeira categoria do futebol brasileiro de maneira épica, o time comandado pelo técnico Marcelo Martelotte esbarrou em infortúnios no começo da temporada.

De contrato renovado, Martelotte foi demitido no fim de março em decorrência dos resultados insatisfatórios para a diretoria coral. Neste novo período em que esteve à frente da equipe, ele obteve seis vitórias, quatro empates e cinco derrotas em 15 jogos, totalizando 48,8% de aproveitamento. Uma classificação sofrida para a segunda fase da Copa do Nordeste e fraca campanha no Estadual também pesaram para sua saída.

Quem assumiu o cargo de maneira interina foi o auxiliar técnico Adriano Teixeira, logo substituído por Milton Mendes, de 51 anos, que tem longa experiência no futebol português tanto como jogador quanto à beira do campo. No Brasil, ele coleciona passagens por Paraná, Ferroviária (onde ganhou destaque ao conquistar o título da segunda divisão do Campeonato Paulista em 2015), Atlético Paranaense e Kashiwa Reysol, do Japão.

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A aposta do Santinha surtiu efeitos imediatos. Desfrutando praticamente da mesma base que logrou o acesso, Mendes conduziu o Tricolor do Arruda ao taça inédita da Copa do Nordeste, eliminando Ceará, então detentor do troféu, Bahia, vice-campeão do ano passado, e Campinense, vencedor da competição em 2013. No Pernambucano, passou por cima do Náutico e venceu a primeira final contra o Sport, por 1 a 0, em casa.

Mais importante do que falar sobre o jogo do próximo domingo (8), que poderá coroar o bicampeonato do Santa Cruz em território rival e diminuir a diferença para o Leão da Ilha em número de conquistas locais (hoje está 40 a 28 para o Sport), é preciso ressaltar a marcante realização coral que expandiu seu rol de êxitos e lhe garantiu o primeiro sucesso em sua região de origem, além do Hexagonal Norte-Nordeste de 1967.

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Grafite, ao centro, aplaude torcida coral junto a seus companheiros de equipe (Foto: Divulgação/ Antônio Melcop)

Parte significativa da vitoriosa campanha pode ser sintetizada no dueto ofensivo constituído por Edinaldo Batista Libânio, o Grafite, e Marcos da Silva Franca, o Keno.

Juntos, eles marcaram 10 dos 16 gols da equipe no caminho até a glória, incluindo nos encontros da fase de mata-mata, com cinco tentos cada um.

Aos 37 anos, Grafite, com a vitalidade de alguém que acabou de ser revelado, foi inclusive quem abriu o placar na primeira final.

Mesmo não tendo sido lançado no Arruda, o ex-atacante da seleção brasileira, que ostenta no currículo várias distinções (entre títulos e artilharias) e uma presença em Copa do Mundo, criou um vínculo sentimental com o primeiro clube grande que lhe deu uma oportunidade no já longínquo ano de 2001. No Santa Cruz, ele ganhou fama e idolatria. Bem mais experiente, tratou de voltar para pagar sua dívida com a torcida.

Quem sofreu as penúrias de graves crises e sucessivos rebaixamentos, vê o cenário de hoje como puro êxtase. Num mundo menos imperfeito, com distribuição justa de recursos, talvez o Santinha pudesse alçar grandes voos. Não que as condições desfavoráveis estreitem a magnitude de um clube, pois grandeza não se mede apenas com taças. Mas nada vai tirar o sorriso do povo que sempre carregou no peito sua paixão.

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