Sócrates, o jogador mais original do futebol brasileiro

Sócrates, o jogador mais original do futebol brasileiro

Em livro, jornalista Tom Cardoso relata a biografia do eterno Doutor da Bola

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Falecido há quase cinco anos, em 4 de dezembro de 2011, Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, como todo ídolo, ainda vive no coração de seus admiradores – corintianos ou não -, sobretudo em tempos nos quais se atravessa conturbada situação tanto política quanto futebolística, que geram carência de representantes e craques.

Líder nato dentro e fora de campo, o Doutor, alcunha que recebera por ter se formado em medicina enquanto ainda jogava pelo Botafogo de Ribeirão Preto, no início da carreira como esportista, conquistou mais do que troféus. Merecedor de seu apelido, é internacionalmente reconhecido pelo estilo elegante e pela inteligência que tinha.

Ademais, também capitaneou a seleção brasileira que encantou o mundo na Copa de 1982 e foi um dos principais idealizadores da Democracia Corinthiana, movimento ideológico que se reorganizou nos últimos meses, conforme já explicou o Alambrado. Por tudo que fez durante seus 57 anos, o Magrão deixou uma história e um legado gigantescos.

Capa Sócrates
Capa do livro do jornalista Tom Cardoso sobre o doutor Sócrates (Foto: Reprodução)

Essa extensa e rica biografia do jogador que transcendeu o esporte bretão é contada pelo jornalista Tom Cardoso nas 264 páginas do livro “Sócrates: a história e as histórias do jogador mais original do futebol brasileiro” (Editora Objetiva, 2014).

Nele, Cardoso aborda com a beleza e a sensibilidade de um toque de calcanhar a vida de Sócrates, desde os primeiros passos no futebol do interior paulista até a morte decorrente do alcoolismo.

De espírito rebelde, o Doutor sempre teve personalidade forte. O capítulo inicial da obra nos conta da vez em que ele, aos 21 anos, saiu de jaleco do campus da Universidade de São Paulo (USP) e foi até a capital junto com o motorista do Botafogo, Arildo Pires, para um jogo contra seu futuro clube, o Corinthians, no Pacaembu.

Chegou em cima da hora, sem uniforme, e precisou comprar ingresso para entrar no local. Até discutiu com um funcionário do estádio, tentando convencê-lo de que era jogador do time visitante e precisava ir aos vestiários. Conseguiu, e, apesar da odisseia que ele passou, ingressou em campo e marcou um gol na derrota por 4 a 1.

Natural de Belém do Pará, o mais velho dos seis filhos de Guiomar e Raimundo Vieira, este um vendedor de rapadura apaixonado por filosofia grega, Sócrates era boêmio, e a bebida o seguiu e lhe trouxe graves problemas de saúde. Por esse motivo, ele não foi exatamente um atleta, mas se dedicou como nunca aos treinos para conduzir o Brasil de Telê Santana na Espanha, em 1982. De modo infeliz, conhecemos o desfecho dessa campanha.

Entre esses e outros detalhes, como a passagem do meio-campista pela Itália, o engajamento na luta pela redemocratização do país, as brigas com dirigentes e seus compromissos depois da carreira como jogador, Cardoso relata minuciosamente as aventuras de um homem original e irrepetível, em vários aspectos. Um verdadeiro gol de placa que merece ser visto por todos os amantes da bola.

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